Aliança para um Futuro Livre de Cárie

Aliança para um Futuro Livre de Cárie
Prevenir agora para um futuro livre de cárie
Um recurso de saúde oral

Março 2015 | ACFF - Aliança para um Futuro Livre de Cárie firma parceria com a Sorridents

A rede de clínicas odontológicas passará a seguir os objetivos propostos pela ACFF em seus programas de prevenção em saúde bucal.

A ACFF - Aliança para Um Futuro Livre de Cárie, iniciativa mundial que visa um futuro livre da doença, e a Sorridents, uma das maiores redes de clínicas odontológicas privadas do Brasil, firmaram ontem, 19 de março, em São Paulo, uma parceria pela integração de objetivos comuns: impedir a instalação e progressão da cárie em todas as faixas etárias da população. A partir de agora, a Sorridents seguirá os princípios e fundamentos da ACFF – Aliança para Um Futuro Livre de Cárie, visando controlar a doença em todos os pacientes das mais de 170 clínicas da rede, bem como nas iniciativas sociais realizadas pelo Instituto Sorridents, através da orientação de escovação supervisionada, uso de materiais de apoio da ACFF e de procedimentos preventivos, como por exemplo, a aplicação de verniz de Fluor Colgate Duraphat.
A formalização da parceria aconteceu durante a reunião anual da ACFF no Encontro Internacional de Odontopediatria da IAPD, Associação Internacional de Odontologia Pediátrica. O acordo foi assinado pelos presidentes da ACFF, Prof. Dr. Marcelo Bönecker, e da Sorridents, Dr. Cleber Soares.
Para o Dr. Soares, a parceria “a parceria é muito representativa pois o trabalho social está no DNA da Sorridents e poder estar ao lado da Colgate que é uma referência mundial em cuidados com a saúde bucal, e da ACFF, só credencia ainda mais a rede, reconhecendo o trabalho de 20 anos de nossa instituição”.
O Prof. Dr. Marcelo Bonecker, presidente da ACFF, afirma que “por meio da parceria, a Aliança tem a oportunidade de capacitar os dentistas por outras atividades, além das palestras, além de abrir a possibilidade de alcançar a população que ainda não tem acesso. Assim, o papel da ACFF e sua importância começam a ser compreendidos, tornando-a referência, e possibilitando sua penetração em um segmento de grande interesse”.

O Dr. Emil Razuk, ex-presidente do CRO-SP (Conselho Regional de Odontologia de São Paulo) ressalta que a Aliança vem sanar o desafio da cárie no mundo todo. “É uma epidemiologia negligenciada, pois depois do resfriado comum, é a doença que mais atinge o ser humano, criando a necessidade de lutar para que tenhamos uma população livre de cárie. Temos uma esperança muito grande nesse trabalho que visa à melhoria na qualidade de vida da população”.
Para complementar, a Dra. Helenice Biancalana, membro e representante da APCD (Associação Paulista de Cirurgiões-Dentistas) no evento, finalizou dizendo que “o trabalho da ACFF é muito relevante, principalmente no que se refere ao futuro melhor sem cárie. A APCD, como entidade de classe, também está inserida neste objetivo, como agente multiplicador do trabalho da ACFF, que é vital para a odontologia e todos os profissionais devem ser engajados.”



Dezembro 2014 | Aliança Para Um Futuro Livre De Cárie, uma causa para além da odontologia

Desde o lançamento da iniciativa "Aliança para um Futuro Livre de Cárie", esta coluna publicou uma série de artigos de reconhecidos especialistas sobre o tema. Como conciliar o uso do açúcar e ao mesmo tempo controlar a doença cárie, o papel do flúor, com ênfase nos mecanismos dos dentifrícios fluoretados e o ensino da Cariologia nos currículos de graduação em Odontologia foram algumas das questões tratadas. Dois outros temas foram o impacto da cárie na qualidade de vida e a saúde bucal no contexto da saúde pública.

Não resta dúvida sobre o grande avanço do conhecimento científico já alcançado, e capaz de projetar um futuro livre de cárie. Mas o que falta?

O estudo epidemiológico clássico de Devers (1976) buscou verificar a contribuição potencial de intervenções objetivando a redução da mortalidade nos EUA. Seus achados estimaram a participação de 11% da atenção médica, 19% do meio ambiente, 27% da carga genética e 43% do estilo de vida.

Fornecer informação não basta para a mudança de hábitos. É preciso ir além. Para estabelecer um efetivo canal de comunicação, vale começar ouvindo e observando, conhecer como vive nosso interlocutor, do que gosta, em que contexto sócio-econômico e cultural se insere. Podemos nos surpreender. É preciso adotar uma atitude de escuta que implica o envolvimento e a empatia. É o sentimento antes da razão que leva a nos conectarmos e nos comunicarmos de fato.

Melhor do que precisar promover a mudança de hábito, é encontrar as oportunidades para que hábitos saudáveis possam ser adquiridos desde o princípio. As orientações, o atendimento prestado desde a gestação e no primeiro ano de vida dos bebês é um bom caminho. O aleitamento materno, adiar o primeiro contato com o açúcar e com alimentos ultra-processados o quanto for possível, acostumar desde o princípio o paladar ao sabor natural das bebidas e alimentos, sem adição de açúcar, uma alimentação saudável, o uso racional do flúor poderão ser decisivos um futuro livre de cárie.

Outros profissionais da saúde como o obstetra, o pediatra, o enfermeiro, o agente comunitário de saúde eventualmente terão contato com nosso público-alvo antes ou em períodos alternados ao dentista. Precisamos também sensibilizá-los para esta causa. De outro lado, ao nos comunicarmos com eles, podemos encontrar maneiras de promover a inserção das orientações específicas para a prevenção da saúde bucal de forma integrada às demais orientações para uma saúde geral e vida saudável. É como diz o ditado popular:
"Vai a teu povo / Aprende com ele / Informa-o / Serve-o / Começa com o que ele sabe / Construa com o que ele tem."

Autor:
Ana Estela Haddad
Livre Docente, Professora Associada do Departamento de Ortodontia e Odontopediatria da FOUSP, Assessora do Ministro da Educação (2003-2005); Diretora de Gestão da Educação na Saúde do Ministério da Saúde (2005-2012)



Novembro 2014 | Radiografia para o diagnóstico de cárie é realmente necessária?

Fausto Medeiros Mendes
Professor associado da Disciplina de Odontopediatria da Faculdade de Odontologia da USP

Tradicionalmente, o diagnóstico das lesões de cárie em crianças e adolescentes é realizado por exame clínico complementado pelo exame radiográfico. Isso é indicado pois o exame clínico deixa de detectar muitas lesões que necessitariam de tratamento operatório. Assim, os guias de protocolo clínico recomendam duas radiografias interproximais para melhorar a capacidade do clínico em detectar essas lesões. Portanto, é indicado que todos os pacientes na primeira consulta odontológica tenham o diagnóstico de cárie realizado pelo exame clínico associado ao radiográfico, pois há um temor de que essas lesões evoluam e causem sintomatologia aos pacientes.

De fato, essa estratégia proporciona maior índice de acertos na detecção das lesões de cárie proximais e oclusais. No entanto, há um efeito colateral: a queda na proporção de acertos nas superfícies hígidas. Por isso, essa estratégia deve ser repensada.

Nos dias de hoje, a cárie é uma doença de progressão lenta. Com isso, uma lesão não detectada dificilmente causaria problemas ao paciente a médio prazo. Além disso, o cirurgião dentista irá atuar com medidas preventivas e educativas nos pacientes, o que contribuirá para deter ou retardar o avanço dessas lesões. Portanto, não é um “pecado” tão grande deixar de detectar alguma lesão de cárie.

Por outro lado, errar o diagnóstico de uma superfície dentária hígida, indicando-a erroneamente para o tratamento operatório, causa muito mais danos aos pacientes. A realização do tratamento operatório imediatamente causará perda irreversível do tecido dentário, sem que o dente realmente precisasse dessa manobra terapêutica. Esse sim é um “pecado” muito maior. Portanto, na atualidade, é preferível que o cirurgião dentista detecte corretamente os dentes hígidos, mesmo deixando de detectar algumas lesões de cárie. E para isso, o exame clínico sozinho é suficiente e mais adequado. Por outro lado, o exame radiográfico não é necessário e não deve ser realizado como rotina em todos os pacientes.



Outubro 2014 | Tratamento minimamente invasivo das lesões de cárie em dentina

A cárie dental é a doença crônica mais comum na infância), afetando crianças em idade pré-escolar, de forma polarizada e desigual.

A técnica de remoção total de tecido cariado tem sido utilizada para o tratamento de lesões cariosas em dentina, por acreditar-se que o sucesso da restauração dependeria da remoção completa de tecido amolecido e contaminado. Entretanto, no tratamento das lesões cariosas profundas em dentina, tal procedimento frequentemente implica em exposição pulpar e consequentemente em procedimentos mais complexos no tratamento dessas lesões, como capeamento pulpar direto, curetagem pulpar e pulpotomia.

Uma alternativa terapêutica para o tratamento dessas lesões é a técnica de remoção parcial de tecido cariado (RPTC), que consiste em deixar uma camada de dentina desmineralizada e contaminada próximo à polpa. Além de preservar a estrutura dentária, a manutenção de tecido cariado adjacente à parede pulpar também contribui para uma menor agressão ao complexo dentino-pulpar, desencadeando esclerose dentinária e formação de dentina reparadora. Com o adequado selamento da cavidade, há a inviabilização das bactérias remanescentes impedindo a progressão da lesão.

As evidências científicas a respeito da RPTC para tratamento de lesões profundas em dentina têm mostrado resultados satisfatórios, tanto em dentes decíduos como em permanentes. Em dentes decíduos, há evidências clínicas, microbiológicas e radiográficas de que é possível preservar parte do tecido cariado sob as restaurações e alcançar resultados satisfatórios, em uma única sessão e em caráter definitivo para estes dentes que tem uma esfoliação biologicamente programada.

A dificuldade do diagnóstico do estado de saúde pulpar e defeitos nas margens das restaurações de tamanhos consideráveis, em associação com a alta atividade de cárie do paciente tem sido apontados como as principais causas de falhas na RPTC. É necessária boa adaptação marginal do material restaurador para limitar o fluxo de nutrientes para as bactérias, prevenindo assim sua proliferação. Nesse sentido, os materiais adesivos têm sido amplamente utilizados na clínica odontopediátrica, devido às suas excelentes propriedades físicas e mecânicas, além de permitirem uma considerável redução do desgaste dental quando da abordagem da lesão cariosa.

Ainda são necessários estudos clínicos a longo prazo para determinar as taxas de sobrevivência das restaurações após a incompleta remoção de tecido cariado. Embora a dentina desmineralizada reduza a força de adesão das restaurações, esta é compensada pela ausência de tecido cariado nas paredes laterais da cavidade. Em revisão sistemática recente (Schwendicke et al., 2013), resultados similares de falhas mecânicas foram encontradas para a remoção parcial e total de tecido cariado.

Diante do exposto, torna-se evidente o ganho de espaço que esta abordagem de mínima intervenção vem tendo entre as alternativas terapêuticas da lesão cariosa profunda em dentina. Entre as principais justificativas para tal, destacam-se a importância do conhecimento da etiopatogenia da doença cárie, a excelência dos resultados dos ensaios clínicos em ambas dentições, além da relação custo-benefício da RPTC em uma única sessão.

Autor:
Fernando Borba de Araujo
Prof. Associado da FO.UFRGS, Porto Alegre - RS
fernando.araujo@ufrgs.br



Setembro 2014 | Impacto da cárie dentária na qualidade de vida

Por muito tempo as pesquisas relacionadas à cárie dentária se preocuparam em abordar os aspectos biológicos da doença nas populações. Os indicadores usados para determinar o planejamento de ações em saúde se baseavam principalmente nos determinantes biológicos da cárie dentária e na presença dos sinais e sintomas da doença. A influência dos indicadores socioeconômicos somente tomou força mais recentemente. Atualmente o impacto da cárie dentária e de outras alterações bucais na qualidade de vida das pessoas tem sido mais valorizado, não se restringindo somente à avaliação do dano local. A qualidade de vida relacionada à saúde bucal se refere ao impacto que a saúde ou a doença bucal tem sobre o desempenho de atividades diárias do indivíduo e no seu bem-estar pessoal e social.

A saúde bucal, assim como a saúde geral, é um fator determinante para a qualidade de vida. A cárie dentária é considerada um problema de saúde pública e, ainda hoje, é a doença crônica mais comum na infância e acomete principalmente crianças de baixo nível socioeconômico. A cárie dentária é a principal causa de dor de dente, perda dentária, necessidade de tratamento e motivo de busca pelos serviços de saúde. A dor causada pela cárie dentária interfere no bem estar físico do indivíduo e compromete a mastigação, que invariavelmente leva à escolha por alimentos que não exigem o exercício mastigatório, comprometendo o nível nutricional e o peso corporal do indivíduo. A higiene dos dentes, a fala e o sono também são comprometidos. Não são raros os relatos de que a criança passou a noite acordada sentindo dor de dente. O absenteísmo escolar para a procura do tratamento é uma ocorrência frequente decorrente da cárie dentária, o que pode diminuir o rendimento escolar e comprometer o aprendizado. A falta de disposição para brincar com outras crianças e a autoestima prejudicada interferem nas relações sociais da criança e no seu bem estar emocional. Portanto, há um prejuízo no desempenho das atividades diárias, o que caracteriza um impacto negativo na qualidade de vida dos indivíduos.

Diante do exposto fica evidente que focar apenas nos aspectos biológicos e nos aspectos socioeconômicos normativos relacionados à cárie dentária não é suficiente. A opinião do indivíduo em relação ao seu próprio estado de saúde assume um grande valor nas avaliações e tomadas de decisões clínicas, além de orientar a elaboração de políticas públicas. A associação entre os indicadores clínicos objetivos e os indicadores psicossociais subjetivos possibilita uma visão ampla da saúde dos indivíduos, permitindo o estabelecimento de ações de saúde bucal fidedignas a uma visão holística, que inclui tratamento preventivo, curativo e promoção da saúde. A qualidade de vida deve ser vista como um recurso essencial para vida, e para se ter qualidade de vida é preciso, antes de qualquer coisa, ter saúde.

Autores:
Cristiane Baccin Bendo
Pós-doutoranda e Professora Substituta do Departamento de Odontopediatria e Ortodontia da Universidade Federal de Minas Gerais
Carolina Castro Martins
Professora Adjunta do Departamento de Odontopediatria e Ortodontia da Universidade Federal de Minas Gerais
Saul Martins Paiva
Professor Titular do Departamento de Odontopediatria e Ortodontia da Universidade Federal de Minas Gerais



Agosto 2014 | Uso profissional de fluoretos: aliado do cirurgião-dentista no controle de cárie

Dentre a gama de meios de uso de fluoreto, os produtos de uso profissional são aqueles nos quais o cirurgião-dentista tem a maior possibilidade de intervenção individualizada no processo de cárie dental, personalizando um tratamento não invasivo para cada paciente. Enquanto que água fluoretada e dentifrício fluoretado estão indicados para todos os indivíduos, indiscriminadamente, os produtos de uso profissional de fluoreto serão empregados apenas nos pacientes que estão necessitando de uma fonte adicional de fluoreto para controlar o processo de cárie.

Dentro do contexto de controle da cárie como doença, o uso profissional de produtos fluoretados é um grande aliado. Assim, o uso profissional de fluoreto deve fazer parte de um protocolo de tratamento da cárie como doença. Nesse tratamento, o uso clínico de gel ou verniz fluoretado, visando paralisar a progressão de lesões de cárie, mesmo as já cavitadas, deve preceder qualquer conduta clínica restauradora, garantindo que o processo da doença esteja sob controle antes da reabilitação. Isoladamente, o fluoreto não é capaz de impedir a progressão de lesões de cárie; entretanto, durante o período de tratamento intensivo com produtos fluoretados em consultório, o profissional pode garantir que o paciente está controlando os fatores etiológicos primários da cárie, que são o acúmulo de biofilme (placa) dental e uma dieta cariogênica. Apenas após a verificação de que a doença está sob controle, o tratamento restaurador pode ser finalizado.

Em Odontopediatria, como o cirurgião-dentista lida com pacientes que passam por períodos de desenvolvimento, dos primeiros meses de vida até a adolescência, durante os quais o controle dos fatores responsáveis pelo desenvolvimento de cárie feitos pelos cuidadores das crianças e por elas próprias sofre oscilações, os produtos de aplicação profissional devem fazer parte da recomendação clínica, sendo empregados criteriosamente para o controle da doença cárie, quando necessário.

Autor:
Paulo César Barbosa Rédua
Presidente da Associação Brasileira de Odontopediatria



Julho 2014 | Açúcar & saúde bucal: é possível conciliar?

O aconselhamento de práticas alimentares saudáveis desde a infância reduz fatores de risco associados a problemas crônicos, como obesidade, diabetes e cárie dentária. Frente à satisfação que traz o açúcar e à pressão do meio social, pergunta-se: é possível conciliar o consumo de açúcar e saúde bucal na infância?

As preferências alimentares se estabelecem nos dois primeiros anos de vida, sendo que a exposição precoce a alimentos com alta densidade energética (ricos em açúcar, gordura e sódio) aumenta sua aceitação e consumo, em detrimento de alimentos mais saudáveis. Tal evidência reforça a recomendação de que se evite açúcar, doces e guloseimas antes da criança completar dois anos de idade. Sob o ponto de vista de saúde bucal, o açúcar introduzido nos primeiros anos de vida propicia o estabelecimento de um biofilme altamente cariogênico, o que é difícil de modificar no futuro.

A oferta de alimentos adocicados, como achocolatados, refrescos artificiais ou refrigerantes prejudica a ingestão de alimentos ricos em nutrientes nas refeições principais e facilita a ingestão excessiva de energia, aumentando o risco de excesso de peso. Se o consumo ocorrer na forma de “beliscadas” entre as refeições, mantém-se um baixo pH no meio bucal, contribuindo para a crescente perda mineral nos dentes (desmineralização), sem a natural reposição (remineralização) que os intervalos regulares entre refeições propiciam. Como então conciliar saúde geral, saúde bucal e consumo de açúcar? As evidências atuais indicam que a introdução da sacarose deve ser o mais tarde possível, de preferência somente após um ano de idade, de forma que a criança reconheça o sabor natural dos alimentos. Quando o uso do açúcar se tornar “inevitável”, racionalizar seu consumo, oferecendo-o apenas como sobremesa. Por fim, manter intervalos regulares entre as refeições, proporcionando equilíbrio entre os processos naturais de des e remineralização. Sim, dá para conciliar, desde que na idade certa e do jeito certo.

Autores:
Carlos Alberto Feldens e Paulo Floriani Kramer
Professores de Clínica Infantil – Curso de Odontologia / Universidade Luterana do Brasil (ULBRA-RS)



Junho 2014 | Como a Prevenção, Diagnóstico e Tratamento da Cárie é ensinada nos Cursos de Odontologia?

O Curso de Odontologia da UFRGS realizou mudanças radicais no seu currículo e modificação conceitual importante no ensino da Cariologia.

Na origem da profissão Odontológica, devido ao desconhecimento de métodos de controle da cárie, a doença evoluía e os profissionais tratavam a doença removendo o dente. Com a finalidade de aliviar a dor e evitar o desenvolvimento da doença, foram aperfeiçoados métodos de tratamento restaurador, tornando possível interromper a progressão da cárie (mas não a instalação da doença).

Historicamente, o termo cárie dentária tem sido usado como sinônimo de cavidade, e seu tratamento, entendido como o reparo dessa lesão. Esta acepção é resultado da falta de conhecimento científico do processo da doença. A disciplina que estudava métodos de restauração do dente com o objetivo de impedir a progressão da lesão era a Dentística Restauradora. Esta disciplina teve um desenvolvimento muito grande no fim do século 19 e início do século 20. O tratamento da sequela (lesão de cárie) era considerado tratamento da doença e o conhecimento científico sobre a etiopatogenia da cárie, insuficiente para seu controle. O desenvolvimento do conhecimento do processo da doença cárie e as possibilidades de seu controle ocorreram mais tardiamente no século 20, sendo estudado nas Disciplina de Preventiva. A relação entre microrganismos e cárie estabeleceu-se nos estudos de Orland e colab. (1954) e o estudo de bactérias cariogênicas na década de 50 e 60 (estudos sobre lactobacilos e Estreptococus do grupo Mutans). Mesmo a relação entre dieta e cárie teve seu estudos importantes publicados nas décadas de 50-60 (Estudo de Vipehom e Hopewood). Esta dicotomia no estudo da doença cárie, resultou em uma dicotomia no ensino e na prática odontológica no século XX.

Somente nas últimas décadas, com base em dados epidemiológicos demonstrando o fracasso da odontologia restauradora associados ao melhor entendimento do processo da doença, tornou-se evidente a possibilidade de prevenção e controle da cárie dentária. O tratamento da doença cárie não está mais baseado no tratamento da cavidade cariosa, e sim no diagnóstico da atividade da doença cárie e no controle dos fatores envolvidos no seu processo.

Frente a estas mudanças no entendimento do prevenção, diagnóstico e tratamento da doença, o ensino da doença cárie agora é ministrado em uma disciplina onde integra-se o conhecimento do processo da doença com sua prevenção e tratamento. Nesta nova filosofia do ensino da Cariologia, o tratamento restaurador é o tratamento da cavidade de cárie baseado no entendimento do processo da doença. Estes conceitos do ensino da Cariologia estão sintetizados em dois livros da série da ABENO (Cariologia: conceitos básicos, diagnóstico e tratamento não restaurador e Cariologia: aspectos da Dentística Restauradora).

Autor:
Marisa Maltz
Professora Titular do Departamento de Odontologia Preventiva e Social
Faculdade de Odontologia, UFRGS



Maio 2014 | Por um Futuro sem Cárie: Marcelo Bonecker at TEDxJardins

A TEDx é uma plataforma que tem como objetivo o compartilhamento de boas ideias ao redor do mundo. O Prof. Dr. Marcelo Bonecker, presidente da ACFF - Aliança Para um Futuro Livre de Cárie no Brasil, ministrou uma importante palestra sobre a força-tarefa para um futuro livre de cárie. Assista já.



Maio 2014 | Dentifrício Fluoretado: Mecanismos de Ação

Os mecanismos pelos quais o fluoreto de creme dental controla a cárie dentária foram recentemente revisados (Tenuta e Cury, 2013). Embora a principal meta da escovação seja a remoção mecânica do biofilme dental que se forma diariamente sobre as superfícies dentárias, o principal efeito anticárie do dentifrício fluoretado tem sido atribuído ao efeito físico-químico do fluoreto na redução da desmineralização (Des-) e ativação da remineralização (Re-) dental.

Durante e após a escovação, o fluoreto é distribuído pela cavidade bucal via saliva, difunde-se para remanescentes de biofilme não perfeitamente limpos e potencialmente pode reagir com a superfície dental, especialmente naquelas superfícies com lesões pré-existentes. Em cada um destes sítios o fluoreto poderá agir positivamente no equilíbrio mineral, reduzindo a desmineralização e aumentando a remineralização dental. Assim, toda vez que os dentes são escovados com dentifrício fluoretado ocorre um aumento da concentração de F na cavidade bucal. Nas superfícies dentais limpas pela escovação onde há lesões pré-existentes de cárie, o fluoreto presente momentaneamente na saliva poderá ativar a remineralização.

Naquelas superfícies não perfeitamente limpas pela escovação, o fluoreto se difunde e é retido no biofilme. Diante da exposição desses residuais de biofilme a açúcar e à consequente queda de pH, o fluoreto presente no fluido do biofilme interferirá com o processo de cárie, reduzindo a desmineralização. Quando o pH volta ao normal, o fluoreto ainda presente no biofilme ativará o fenômeno de remineralização. Logo, lesões de cárie irão progredir ou reverter-se dependendo do equilíbrio Des-Re a que os dentes são submetidos diariamente na cavidade bucal (Cury e Tenuta, 2009).

Referências:

  1. Cury JA, Tenuta LM. Enamel remineralization: controlling the caries disease or treating early caries lesions?
    Braz Oral Res. 2009;23 Suppl 1:23-30.
  2. Tenuta LM, Cury JA. Laboratory and human studies to estimate anticaries efficacy of fluoride toothpastes. Monogr Oral Sci. 2013;23:108-24.

Autores:
Diego Figueiredo Nóbrega - Doutorando em Cariologia, FOP-UNICAMP
Livia Maria Andaló Tenuta - Profa. Associada, Bioquímica e Cariologia, FOP-UNICAMP
Jaime Aparecido Cury - Prof. Titular, Bioquímica e Cariologia, FOP-UNICAMP; Diretor científico da ABOPREV - jcury@fop.unicamp.br



Abril 2014 | Saúde bucal e saúde pública

Saúde pública é a avaliação dos problemas de saúde de uma comunidade e a aplicação de medidas individuais e coletivas para controlar esses problemas, evitando sua progressão ou reduzindo sua ocorrência.

A saúde bucal não se esgota em atividades cirúrgico-restauradoras, quando, após a instalação da doença, o Cirurgião-Dentista busca restaurar a função ou estética dos órgãos atingidos.

A saúde bucal é parte da saúde integral dos indivíduos, e como tal, constitui preceito constitucional, que a saúde é direito de todos e dever do Estado, mediante políticas que visem à redução do risco de doença e ao acesso universal às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação. A Saúde Pública no Brasil se constitui como um sistema - Sistema Único de Saúde - SUS.

É importante salientar que a Odontologia possui, hoje, tecnologia suficiente e adequada para abordar todos os temas que envolvam a resolução de problemas no âmbito da atenção à saúde bucal e aponta para uma melhora epidemiológica, em 1986 as crianças de 12 anos apresentavam, no Brasil, em média, 6,7 dentes atacados pela cárie, na pesquisa SB Brasil 2010, as crianças apresentaram o CPO-D médio de 2,07 dentes. Hoje, 1,4 milhão de crianças não têm nenhum dente cariado na boca. Esta melhoria deveu-se, basicamente, à fluoretação das águas de abastecimento público e também a fluoretação dos dentifrícios e as ações de algumas prefeituras que implantaram programas preventivos.

Deve ser dada atenção especial à dentição decídua, pois o ataque de cárie em crianças de cinco anos foi, em média, de 2,43 dentes, em 2010. Desses, menos de 20% estavam tratados no momento dos exames epidemiológicos.

Podemos concluir que existe a necessidade de se articular uma política pública de saúde bucal, que privilegie as ações de natureza onde as ações de fluoretação das águas de abastecimento sejam implantadas em todo o Brasil, para que os serviços tenham impacto sobre os níveis de saúde das populações.

Maria Ercilia de Araujo
Profª. Titular de Saúde Coletiva do
Departamento de Odontologia Social da Faculdade de
Odontologia da Universidade de São Paulo



Março 2014 | Dentifrício fluoretado, em pouca quantidade, desde a irrupção do primeiro dente

O declínio da cárie é um fenômeno amplamente conhecido. Entretanto, não se pode dizer que a doença esteja sob controle. No Brasil, por exemplo, mais da metade das crianças de 5 anos de idade têm lesões de cárie não tratada em dentina. Uma medida simples e de baixo custo que pode contribuir para reduzir tanto a frequência quanto a gravidade da doença é a desorganização regular do biofilme dental com escova e dentifrício fluoretado.

Infelizmente, muitas crianças em idade pré-escolar deixam de receber os benefícios conferidos pelos dentifrícios fluoretados porque seus pais realizam a limpeza dos seus dentes com um dentifrício sem fluoreto ou com concentração baixa de fluoreto. Essa prática, apesar de não ser suportada pela melhor evidência científica atualmente disponível, é recomendada por alguns profissionais de saúde. Além disso, ela tem sido estimulada por matérias tendenciosas e alarmistas veiculadas na mídia a respeito de riscos à saúde associados com a exposição ao fluoreto contido nos dentifrícios.

Se nós, dentistas, desejamos construir um “Futuro Livre de Cárie”, precisamos nos comprometer com a ampla divulgação da recomendação contida no Guia para Uso de Fluoretos do Ministério da Saúde: todas as crianças, independentemente da idade, devem escovar os dentes com dentifrícios contendo 1000 ppm de fluoreto biodisponível. Provavelmente, neste ponto do texto, você está se perguntando: mas e a fluorose? Os estudos sobre o tema mostram que a fluorose nos dentes permanentes possivelmente associada ao uso de dentifrício fluoretado até os 7 anos de idade é do tipo leve ou muito leve, não produz prejuízo à qualidade de vida e, na maior parte das vezes, não é percebida pela criança e por seus familiares. Ainda assim, como prudência não faz mal à ninguém, tem-se recomendado que a limpeza dos dentes de pré-escolares seja realizada duas vezes ao dia, com pouca quantidade de dentifrício e sob a supervisão de um adulto. Dessa forma, é possível obter proteção contra a cárie com um risco mínimo de fluorose caso ocorra a ingestão do dentifrício.

Branca Heloisa de Oliveira
Profa. Associada, Departamento de Odontologia Preventiva e Comunitária
Faculdade de Odontologia – UERJ
Coordenadora do Projeto de Extensão Crescer Sorrindo na web
www.facebook.com/cescersorrindo , branca@uerj.br



Fevereiro 2014 | Cárie dentária - uma doença controlável

Todos conhecem a história do copo "meio vazio" ou "meio cheio. Assim, eu também poderia iniciar esta coluna dizendo que, segundo a visão pessimista, "apesar do declínio na prevalência de cárie dentária que observamos nas últimas décadas, a doença continua onipresente nas sociedades modernas", ou, segundo a visão otimista, "apesar de ser uma doença onipresente nas sociedades modernas, um visível declínio na prevalência de cárie foi observado nas últimas décadas". Mas na verdade, não é apenas uma simples inversão que muda o sentido, há algo mais.

Como expliquei a uma amiga que não é dentista, não é possível zerar a doença cárie, mas é possível zerar (manter em níveis subclínicos) sua manifestação, as lesões de cárie. Infelizmente, a palavra cárie é usada para se referir às duas coisas, a doença e a sua sequela. Porém hoje ela é amplamente usada para se referir à doença – felizmente, porque é atuando na doença que o cirurgião-dentista faz toda a diferença como um agente de promoção de saúde.

Causada por bactérias da nossa microbiota bucal que se acumulam sobre os dentes na forma de biofilme, com papel decisivo do açúcar da nossa dieta, a erradicação da doença cárie é utópica. Mas ao contrário, a erradicação das lesões de cárie não é. Podemos controlar a doença a tal ponto que conseguimos eliminar qualquer lesão visível clinicamente da boca de qualquer um; as gerações de crianças "livres de cárie" (das lesões!), em parte pelo papel decisivo que o fluoreto teve e continua tendo no controle da doença em todo o mundo, são um exemplo disso.

Então, imbuída da proposta da Aliança para um Futuro Livre de Cárie de trazer para toda a sociedade o conhecimento e a capacitação necessários para que o controle da doença seja uma realidade universal, parto da visão otimista para encerrar dizendo que "apesar dos fatores etiológicos responsáveis pela cárie dentária fazerem parte de nossas vidas, o controle da doença já é uma realidade, que pode e deve estar acessível a todos no breve futuro".

Livia Maria Andaló Tenuta
Profa. Associada, Bioquímica e Cariologia, FOP-UNICAMP
Coordenadora científica, ACFF
litenuta@fop.unicamp.br



Janeiro 2014 | ACFF realiza força-tarefa para controle da cárie

Com o objetivo de reunir especialistas em saúde bucal para elevar o patamar de entendimento da cárie dentária como um problema de saúde pública mundial, a ACFF - Aliança para um Futuro Livre de Cárie define uma nova abordagem da doença e promove ações integradas com outras especialidades da área da saúde para o seu combate efetivo.

Desde a implementação da Aliança no Brasil, suas informações sobre a prevenção e controle da cárie vêm sendo disseminadas por meio do site www.aliancaparaumfuturolivredecarie.org e de ações sociais ligadas à iniciativa global “Sorriso Saudável, Futuro Brilhante”, da Colgate-Palmolive, que leva consciência, educação e esperança a milhares de crianças em todo o mundo e que apoia, dentre outras empresas, a ACFF.

Entre as metas estabelecidas pela ACFF, encontram-se:

• Em 2015, 90% das faculdades e associações odontológicas no país deverão ter incluído e promovido a "nova" abordagem da cárie para melhorar seu manejo e prevenção.
• Em 2020, os membros regionais da Aliança para um Futuro Livre de Cárie deverão estar integrados, atuando localmente na implantação da prevenção, manejo e monitoramento adequados da cárie.
• Toda criança nascida a partir de 2026 deverá estar com o problema controlado durante toda a sua vida.

No Brasil, a Pesquisa Nacional de Saúde Bucal (SB Brasil 2010)1 apontou desigualdade no índice de cárie, sendo que as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste apresentam maior prevalência do que as regiões Sul e Sudeste. Além disso, notou-se que regiões de pobreza dentro de uma mesma cidade apresentam maior prevalência de cárie. Contraste que demonstra um importante fator social envolvido com a doença e relacionado ao acesso à educação bucal e estratégias para controle, caracterizando a cárie como doença biossocial.

O Prof. Dr. Marcelo Bönecker, presidente da Aliança para um Futuro Livre de Cárie no Brasil reforça que esse espaço mensal no jornal da APCD, a partir dessa edição, tem como principal objetivo convidar renomados especialistas no assunto para apresentar temas ligados à educação, prevenção e tratamento da cárie. Isso porque a cárie dentária é o problema crônico mais comum em todo o mundo, que afeta cinco bilhões de pessoas, ou cerca de 80% da população mundial2, o que faz com que a cárie seja encarada pelos profissionais de Odontologia como um problema de saúde pública e com necessidade imediata de implementação de ações de conscientização e educação da população, bem como prevenção para controle do problema.


Referências:
  1. BRASIL, Ministério da Saúde. Pesquisa Nacional de Saúde Bucal – 2010 – Nota para a imprensa. Brasil, 2010.
  2. Relatório de Saúde Oral, 2003 da Organização Mundial da Saúde. Disponível em: http://www.who.int/oral_health/media/en/orh_report03_en.pdf


Agosto 2013 | Cárie atrapalha a rotina dos brasileiros

Problema que atinge 88% da população brasileira pode ser evitado em todas as idades

A cárie é a doença crônica mais comum no mundo, afetando cinco bilhões de pessoas, ou cerca de 80% da população mundial1. No Brasil, o cenário não é diferente: 88% da população ainda sofre deste problema2. Em um mundo onde a sociedade está cada vez mais exposta ao consumo de açúcares, que servem de alimento para as bactérias que formam a placa bacteriana, a cárie tornou-se uma doença silenciosa que toma proporções cada vez maiores e impacta a vida pessoal e profissional das pessoas.

A dor causada pela cárie é o problema de saúde bucal de maior impacto sobre o bem-estar dos indivíduos3, levando a complicações que interferem diretamente na qualidade de vida. Para a professora de Bioquímica e Cariologia da Unicamp e membro da ACFF - Aliança para um Futuro Livre de Cárie -, Livia Tenuta, é possível relacionar a incidência de cárie a questões como diminuição do rendimento no trabalho, faltas escolares, dificuldades de comunicação e alimentação. “É notório que algumas pessoas acometidas pela doença têm a estética da boca afetada, o que pode causar constrangimentos nos convívios profissional e social. Por isso, é preciso engajar a população sobre a importância da saúde bucal para o corpo todo”, explica a professora.

Consequências poderiam ser evitadas – Atualmente, existem diversas maneiras para prevenir a doença. Fluoretação da água que abastece o sistema público das cidades e cremes dentais fluoretados são exemplos disso. No entanto, uma parcela da população ainda não tem acesso a esses recursos e acaba por não dar a devida atenção à saúde bucal. “Muitas pessoas têm cárie porque não têm acesso aos métodos de prevenção ou não entendem a necessidade de uma boa higiene oral. Nossa missão é educá-las e mostrar que, além de todos os danos acarretados para a vida profissional e pessoal, é muito mais barato prevenir do que tratar as lesões de cárie posteriormente”, reforça a professora.



Julho 2013 | Como prevenir a cárie?

A cárie é uma das doenças mais comuns no Brasil, mas muitas pessoas nem imaginam que sofrem deste mal. Ela é uma deterioração do dente que está diretamente relacionada ao estilo de vida do indivíduo, ou seja, ao que come, como cuida dos dentes e se tem acesso à água fluoretada.

Para a Professora Doutora Titular da Disciplina de Saúde Coletiva da Faculdade de Odontologia da USP (FOUSP), Maria Ercília de Araújo, a higiene bucal correta é uma das melhores maneiras de prevenir a doença. “Atualmente, o consumo elevado de açúcar é preocupante, pois ele está presente em bolachas, refrigerantes, doces, balas, chicletes, sorvetes, etc. Por isso, é imprescindível escovar corretamente os dentes após as refeições, massageando a gengiva com creme dental que contenha flúor em sua composição e usar fio dental, que remove os restos de alimentos e a placa bacteriana nos locais aonde a escova não chega”, explica Ercília.

Além disso, visitar o dentista periodicamente é uma maneira de evitar diversos problemas bucais. Isto porque muitos adultos pensam que apenas as crianças estão suscetíveis à cárie e não dão a devida atenção à importância de se manter uma boa higiene bucal ao longo de toda a vida. “À medida que ficamos mais velhos, a cárie em volta das restaurações e na raiz dos dentes se tornam mais comuns, podendo agravar outras doenças, como diabetes e problemas cardíacos”, explica a professora.

Preocupada com a evolução da doença, a ACFF, Aliança para um Futuro Livre de Cárie, reúne especialistas em saúde pública e bucal de todo o mundo para que a cárie seja encarada como problema de saúde pública, além de definir metas e promover ações integradas com outras especialidades para o seu combate efetivo. O principal objetivo do projeto é que toda criança nascida a partir de 2026 seja livre de cárie durante toda a vida.



  1. World Health Organization; FDI World Dental Federation
  2. BRASIL, Ministério da Saúde. Pesquisa Nacional de Saúde Bucal – 2010 – Nota para a imprensa. Brasil, 2010
  3. Pontifícia Universidade Católica de Campinas, Faculdade de Odontologia. Campinas, SP, Brasil.